Panini Comics, fevereiro de 2012. Encadernado em 192 páginas, R$ 23,90. Publicado originalmente em Northlanders #21-28 (DC/Vertigo, 2009/2010).
Roteiro: Brian Wood
Arte: Leandro Fernandez
Cores: Dave McCaig
Review:
Se Vikings não conseguiu empolgar enquanto publicada mensalmente na revista Vertigo (Panini Comics), ela finalmente encontrou o formato que permite que a série de Brian Wood tenha seu destaque.
Na história desse arco, passada no ano de 1020 D.C., conhecemos Hilda e sua filha Karin, moradoras de uma aldeia aos arredores do rio Volga, que passa por uma crise por conta de uma doença contagiosa que assola os aldeões. O marido de Hilda vem a falecer pela moléstia pouco antes do conselheiro local, o estrangeiro Boris, convencer o ancião do lugar que a aldeia deve ser isolada e que seus moradores contaminados devem ser expulsos, para garantir que a peste seja contida. Os problemas maiores, porém, surgem a partir de Gunborg, um dos homens de confiança do ancião, e seus homens, que se recusam a acreditar em Boris e suas ideias científicas.
A história de Wood ganha uma coerência maior quando lida sem interrupções, em uma edição única. Apesar de não conseguir repetir o ritmo veloz da sua principal série, DMZ (no Brasil, ZDM), já que usa excessivamente balões recordatórios, muitas vezes com passagens meramente simbólicas, o autor consegue criar uma trama amarrada e interessante, com personagens muito bem caracterizados. Os diálogos, embora não tão presentes quanto os "balões off", são bem trabalhados, sem utilização de linguagens diferenciadas para contextualizar a época e a cultura presentes na história. Pelo contrário, as gírias e expressões modernas são usadas frequentemente. Se isso é uma desvantagem para quem espera uma leitura historiográfica com várias referências à sociedade da época, é muito positivo no que diz respeito da agilidade da narrativa.
A narrativa de Brian Wood na série parece ter melhorado muito desde os primeiros arcos. Aqui, ele utiliza muito bem as splash pages para marcar as cenas mais importantes. Além disso, as sequências de ação são bem exploradas, com destaque para a "luta final", que conseguiu ser bem dinâmica e, ainda assim, emocionante.
A arte de Leandro Rodrigues, apesar de não ter muito destaque, já que lembra o estilo de muitos outros artistas, é limpa e combina muito bem com a atmosfera da história. Seus enquadramentos são precisos e acertados e o artista explora muito bem as cenas das splash pages, todas muito bonitas, para dramatizar as cenas. Algumas angulações são bem interessantes, com muitos pontos de visão de céu, o que gera um belo efeito, considerando que a neve é o cenário predominante do arco.
Por fim, apesar de ainda não ser um trabalho no nível dos melhores de Brian Wood (como a própria DMZ e Local, por exemplo), essa história mostra que a série tem muito potencial sim, apesar de não ter conseguido aparecer quando lançada mensalmente. A temática dos vikings é bem interessante e bem abordada pelo autor, que com auxílio de um artista competente, cria aqui uma história que, se não é fora do comum, é muito bem contada.
Nota: 3,5 (de 5).